quarta-feira, 29 de abril de 2009

Sorte


Não há alma mais prometida:
Enquanto vela amor veludo,
Parte pena pela partida.

Passado passa a resumo
Sem memória, som agudo.
Futuro, fogo feito fumo.

Vais-te e vai-se a minha sorte
Esvaneço, esvai-se tudo
Mesmo marasmo mas mais morte.


29 de Abril, 2009

sexta-feira, 3 de abril de 2009

O erro


Maníaco-demente, danos cerebrais
Delírio permanente em descobertas teatrais
Se não finge é porque mente, houvesse ilusões irreais!

Luz-te a mente em apogeu
Salva-te e o mundo é teu
Não vês que o erro sou eu?


3 de Abril, 2009

quinta-feira, 12 de março de 2009

Saudade


Adoração pelos amantes da magia,
da utopia
que vicia,
como o encanto do teu toque.

E compaixão por quem ainda não sabe
que saudade
é a vontade
de envelhecer contigo.

Aliciante o entusiasmo que me invade
mas saudade
é, na verdade,
querer nunca te ter sentido.


12 de Março, 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Isto


E se um estímulo calculado,
desenhado em pensamento,
denunciar o teu segredo?

E se for a lua a contemplar-te,
a brilhar pelo divertimento
de te arrancar e trazer medo?

E se a verdade de um beijo te fizer chegar às lágrimas?

Nada mais seja real, isto eu vi:
por quantas vezes me perdi,
acabei sempre por reinventar um pouco mais de mim.


18 de Fevereiro, 2009

domingo, 25 de janeiro de 2009

O Sonho (de "Amores")


Levas-me a mão
e, contigo, sou inteira.
Flutua a sensação
de que o reflexo
dos meus olhos
nos teus olhos
vale mais que uma vida.

Canto-te e pinto-te…
E, enquanto sonho,
adio a despedida.


25 de Janeiro, 2009

sábado, 17 de janeiro de 2009

A um deus


Hoje não estou em mim.
Estou acima de medos e bloqueios.
Acima de paixões e devaneios.
Acima.
Qualquer coisa me faz sentir coisa alguma.
Não há sorte nem vontade.
Nem sou anciã nem sou menina.
Estou acima.
E mentiras, todas, uma a uma,
são fragmentos de verdade…

Ou estarei a olhar para cima?

Não,
hoje não estou em mim.


17 de Janeiro, 2009

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

O Sonho


Ecos de mim inspiram a voz da madrugada…

O que não vivemos, sonhemos.

Expiro…


Vi-me, em sonho, pensar uma vida.
E senti pena por quem ainda
havia tanto para chorar.


7 de Janeiro, 2009

sábado, 6 de dezembro de 2008

Amores


De que valem amores
de amores que desperto…
Se é em mim que te sinto…
Quão mais longe, mais perto!

Pensar-te,
mais que ter-te,
é ter como inerte
tudo o resto que quero.


6 de Dezembro de 2008

sábado, 8 de novembro de 2008

Auto


Tenho-me como pessoa completa,
porque tudo quanto existe me faz falta.


8 de Novembro, 2008

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Advice (Banhos d'Alma)


Sempre que sentires
o rosto endurecer, a arrefecer…
Não cedas.
És tu, a precisar de ti.
Por isso, chora.
Arrepia, em subida ao olhar, e atira-te!
Derrama o caminho, banha os lábios,
aquece e enternece a pele...
e, no final, goza a doce libertação
de regressar a ti.


6 de Novembro, 2008

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Bailados escorrem poesia


A lua não cansa,
incita
olhares que anseiam estrelas…

A estrela amansa,
baloiça
entre medos e sonhos na noite…

A noite avança,
flutua,
em deslize, envolvendo a lua…

A lua não dança,
provoca
bailados
que escorrem
poesia…


27 de Outubro, 2008

Monotonia de um desabafo


De ti, nada espero.
Uma mão,
ou um chão,
Companhia.

Em ti, enumero
cada não
feito acção,
Cobardia.

Para ti, adultero
a visão
mas em vão,
Alquimia.

Por ti, exagero.
Aflição,
solidão,
Ventania.

Sem ti, regenero.
Corpo são,
coração,
Poesia!


27 de Outubro, 2008

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Observo


Silêncio.
Não recebo,
não estranho.
Observo.
[Receito]


Coragem.
Não lhe falo,
não a ouço.
Observo.
[Respeito]


Limite.
Não defino,
não acabo.
Observo.
[Rejeito]


E, ao olhar que encobre
o que reservo
e clamo,
ergue-se a voz, e descobre:
“Eu não observo,
eu amo!”


25 de Setembro, 2008

domingo, 14 de setembro de 2008

Outra vez


Haja luz na Terra,
no mar, pelo ar,
e nas rugas.
Na mente.

Entre alma no corpo,
empurre-se e puxe-se
o espaço.
O tempo.

Seja tudo igual outra vez:
que a paz venha fria; o sucesso, forçado.
A natureza? Vazia! O olhar: perturbado.

Batalhem escravos e amos,
que nada se desperdice…
Arrependimentos, guardamos
para depois da velhice!


12 de Setembro, 2008

Toque rosado


Rumo à montanha rente ao céu,
sinto a terra, o sol e o vento...
Insaciada, imploro o alento
do mar salgado, o meu troféu.

Onda vestida em tons de amor
à luz da lua que me invade...
No interior, rompe a verdade
descubro, em vida, outro sabor.

Sem ela, esqueço o que procuro,
perco-me sem o tal toque rosado…
quanto mais forte, tanto mais puro!

Por ela, raptava cada estrela,
deixand'o negro alto, apagado...
Antes o mar sem luar, a perdê-la!


Para uma amiga que fez anos hoje, 3 de Setembro de 2008

Suspiros


Ai...
a falta que me faz
um anjinho-sentimento
que me aceita
e me traz
ternos risos com o vento.

Ah...
amigo emocionante
que seduz até a vida.
Telepatia
inebriante,
cumplicidade prometida.

Oh...
já rendido à Altair,
no olhar luz o encanto
de quem brinda
a uma Mulher,
a seus olhos e a seu canto.
(A quem ama tanto, tanto)


(Dedicatória)
25 de Agosto, 2008

Desafio


Acordo
- lentamente -
com a luz, inquietante,
e preparo a alma
e o coração.
(Alvorece e eu desespero)

E em arranjos cobardes,
à força que me exigem
as manhãs e as tardes
e início das noitadas,
é de lágrimas atadas
que alcanço o firmamento.
Mas choro só por dentro,
que por fora não posso.

Recordo
- vagamente -
a lua cheia, pensante,
e o brilho na palma
da minha mão.
(Anoitece e eu recupero)

Se é no escuro que sinto
um aroma ou melodia,
fecho os olhos e pinto,
ou fecho-os e minto,
erguendo um gesto afoito.
E escrevo de dia,
como quem desafia
a escuridão da noite.


19 de Agosto, 2008

Tua


Sente

...A brisa mais leve
pelos cabelos, desfiada…
o cheiro do mar,
entranhado, por dentro!

...O olhar que descreve
a vida mal desejada,
o prazer de amar
desde fora, ao centro!

...O sorriso tão breve
da criança abandonada,
o medo a aflorar
em guerras que esventro!

Sente-te todo invadido pelo brilho da lua!…
e só aí sentirás se algum dia fui tua.


18 de Agosto, 2008

Sentido em mim


“Esta noite dormi bem
- sono continuado –
mas acordei cansada.”
Durmo toda a noite,
se o sono vem,
e, ainda assim,
acordo acabada.
E passo o dia, adormecida,
sem sono para dormir.
Isso cansa.
Não sinto a vida…
Difícil mesmo é definir
qual o sonho de confiança:
se o da noite, calmo e frio;
se o do dia, mais frio ainda.
Então sonho, escrevendo
ou escrevo, sonhando…
Mas continua um vazio!
Acordo hoje, menina e linda,
na ternura a que me rendo
(estou na noite, a divagar)
desiludo-me… e abrando.
Escrever o quê?
…se mal consigo pensar!
“Esta noite dormi mal
- sono retalhado –
e fiquei necessitada”.
Uso a memória, sem certeza
para acordar antes do fim.
Quero invocar a natureza,
despertar o sentido em mim.


14 de Agosto, 2008

Paradoxos d'uma vida


Minha vida está repleta de facetas,
vagueio essas terras, esses campos
nenhuma luz, nem rútilos pirilampos,
ilumina minha trajectória em piruetas.

Se um dia o sol me eleva a mente,
logo a noite me esmaga a alma.
Confundo e minto. Sigo, calma
não sei se viva... se estou doente.

Embora - é meu destino. Em treva densa
Dentro do peito a existência finda...
Pressinto minha morte na fatal doença!...

Sugo o esplendor da vida: penso e sinto.
Na natureza, a alma é bem-vinda...
E dela morro. Destino ou forte instinto?...


Dueto:
Francisco Ferreira (1ª quadra e 1º terceto)
Diana Correia (2ª quadra e 2º terceto)
26 de Julho de 2008

A espera


A espera é longa e,
enquanto espero, devagar,
perco um tempo que não uso
e abuso de um outro
que não tenho
para esperar.


29 de Julho, 2008

A minha mão


Já há muito que o mundo
que descascas e consomes
voltou as costas ao meu.
Fruta podre que no fundo
sabe à terra de onde veio
tudo o que reclamas teu.

Cala-te e deixa-me a voz.
Liberta essa busca da força
que não há e que não é
em nós.
(Já te pesa o coração!)

Perde-te e deixa-me aqui.
Leva as sobras da tortura
penitente desta farsa
e sorri.
(Cinismo-aberração!)

Morre ou fina-me agora.
Pára! … Continua.
Respira fundo e afunda
na lama a cara, nua.
E chora.
(Tinhas a minha mão!)


23 de Julho, 2008

É assim


Prospecto o tempo, lentamente
e nada se altera
em mim
excepto a ânsia equivalente
à quimera
do meu fim.
Sim.

Era um génio? Prometia?
Quanto tanto aprendi…
…que já esqueci…
Perdi o brilho!
Fraco empenho? Cobardia?
Sem sentidos, intuí…
…ora perdi…
e não partilho!
É assim.

Por isso deixem-me,
(estou bem!).
Não sou mais do que isto
e não vou mais além.
Não vivo, existo.
Então poupem-me,
não puxem por mim!
Sim.
É assim.


13 de Julho, 2008

Noite (Redenção)


É noite e penso.
Penso mas reparo
no eco do silêncio
que assombra e afugenta
o pensamento.

Afinal o que sentia
era nada.

Imagino o que seria
se sentisse o que escrevi
aclamando o tormento
(tão meu!)
que criei e que fingi.

Já não vejo, não cheiro…
…nem sequer ouço
(e a música é tão íntima!).
Estou finalmente a sós
comigo.

Acomodo-me à certeza
de um vazio desleal
que me preenche
e dá abrigo
da tristeza e do mal
que quase que sinto
por nada sentir.

É noite e estou só
(incapaz de chorar!).
E renuncio a seduzir
a sensação para o prazer
de ver, cheirar…
…e ouvir.


1 de Julho, 2008

Por que esperas?


Dois segundos já passaram
e ainda divagas,
hesitas.
Presa nos pensamentos
dementes,
ciente de que o tempo
não espera,
não pára.

Porque esperas...

... Se sonhas e sentes
mas tens asas
dormentes
em correntes atadas?
... Se nasces e crias
sem notar que
os dias
são dias que passam
e mais nada?

Crês no que vês?
Na palhaçada deprimida
agravada pelas gentes
descontentes
de sua vida fingida?

Por que esperas...

... Para te libertares
dessa herdade
cansada,
desde sempre condenada
e agora consumida?
... Para conquistares
a tal verdade
iluminada
e seres tu a mais amada
por ti, na tua vida?

A tua natureza há-de te abraçar,
um dia.


24 de Junho, 2008

Confesso


Magoa-me
o grito calado
que guardo e que escondo
cá dentro.
Destrói-me.

Minto.
O riso sofrido
que cobre o que sinto
e que pinta e dá vida
à minha alma.
Sufoca-me.

Perco-me.
Confundo o que finjo,
não vejo e bloqueio
nas teias
do nada que desconheço.
Anseio.

Confesso.
Contemplo a dor
que é escrever
sem errar.
Assumir no interior
o que posso fingir
se simplesmente falar,
só por falar…


Maio, 2007

My friend


Can you tell your friend's heart is cold,
dying,
needing singing birds?
Can you see his soul's apart and sold,
crying,
holding hurting words?

Say your friend's down and low,
would you take him
or bring him
the floor you step and flow?

Say your friend's lost his glow,
who will join him,
refine him,
now you've set your way to go?

Will you get mad
if he calls you
and yells at you
and it is nothing in the end?
You see the time
he makes you spend,
yet you continue to pretend
to listen
and understand.

Can you tell your friend is lonely,
lying,
keeping silent pain?
Can you see him, one and only,
trying,
hiding violent rain?

Sorry,
thought you said you were my friend.


10 de Junho, 2008

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Regrets


Thought you were back to whole
but the past has got you deep,
the ghosts will crash your soul.
And you can't fail,
you're so afraid.
No one can manage to touch you,
to see through.
Nor your friends, nor your mother.
maybe no other,
maybe another day...
- Kiss me - I say.

Guilt will kill you.


6 de Junho, 2008

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Sinto muito



Eleve-se a lua,
para que eu desça a mim.
Ilumine-se a mente
de quem sente
que a vida subestima
e escurece o sentimento.
Sinto o peso de sentir
a angústia amarrada
a um corpo turbulento
que estreita e esmaga
o que sinto,
cá dentro.

Sinto muito.
Sinto a palavra prometida,
apodrecida nas entranhas
de minh’alma seduzida
e atraiçoada.

Sinto tanto.
Sinto o tom da hesitação
no teu silêncio que vagueia
e me acinza o coração,
queimado.

Sinto demais.
Sinto o cheiro do teu medo
quando sabes que me mentes
ou escondes o que sabes
e o que sentes…
… Sinto muito.


26 de Junho, 2008