terça-feira, 25 de maio de 2010

Na margem


De mim, dividida, pensei que aguentasse
Do mundo, dos outros, do destino o impasse:
De um lado, que a angústia de tudo morresse
De outro, que o conforto do nada pesasse.

Se por não mais sofrer, orgulhosa, eu secasse,
Só a restar no olhar, sem alma, uma face.
Se o tempo fugisse ou eu adormecesse…
Se ao menos um deus me ouvisse e falasse…

– “Aos meus pensamentos faltou harmonia
Pensei que na margem também andaria
E que apenas iria ser mais devagar.”

– “Troca o que pensas por beijos d’esperança
Na margem, o medo domina a criança
No rio, vais na dança da vida a voar.”


25 de Maio, 2010

4 comentários:

sfich disse...

Se este poema fosse lido por um poeta com sentido musical, dar-lhe-ia uma melodia que a toda a gente encantasse; a julgar pelos versos!...

Que coisa mais linda, Diana Correia!...

um beijo
sfich

Olhar Meu disse...

Adoro a beleza e a fragilidade das tuas palavras.

GBjo
Fatima

Conceição disse...

Não tendo grande sentido da musicalidade, no entanto li em voz alta e achei perfeito para declamar Diana. Gostei imenso do soneto.
Beijinho
Conceição

Claudio Sousa Pereira disse...

Senti grande musicalidade neste 'soneto', em que os verbos no subjuntivo (conjuntivo) e os operadores em se, dão condicionalidade nos anseios do eu-poético, além da sensasão de fugacidade de tempo. Há muito tempo não venho aqui e é um grande prazer retorná-lo. Não fujas, minha linda! Minhas saudações, Claudio.